Tear da Psicologia:

Tear da Psicologia:

A capacidade de estar Vivo e a clínica psicanalítica infantil


“Um psicanalista deve ser capaz de reconhecer com tristeza e compaixão que, entre as piores e mais lesivas perdas que um ser humano pode ter, está a perda da capacidade de estar vivo para sua própria experiência”. (OGDEM, 2005)

“Assim, realizar a capacidade de estar vivo ao longo da vida tem a ver com a proximidade de algo que se assemelha a um corpo materno, um íntimo flexível, ora organizado em certa direção, ora rarefeito, à mercê de qualquer destino. É o representante da vitalidade e sua expansão que caminham na direção de ampliar maiores e mais profundas possibilidades de sentir-se vivo.” (BORAKS, 2008)

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
BORAKS, Rahel. A capacidade de estar vivo. Rev. bras. psicanálISE [online]. 2008, vol.42, n.1  pp. 112-123 .
OGDEM, T. H. (2005). What I would not part with. In The art of psychoanalysis. London: Routledge.


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Aletheia e Veritas
(por Simone Prado)


VERDADE

( Carlos Drummond de Andrade)
A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os dois meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram a um lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em duas metades,
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
As duas eram totalmente belas.
Mas carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

Aletheia  ou  Veritas
Esses dois  nomes citados acima são expressões referentes à palavra Verdade. A primeira é de origem grega e a segunda , romana (latin).



Aletheia- uma verdade reconhecida pelos gregos clássicos por ser fruto da análise da razão, do desvelamento, abrange o fato no seu todo: tudo deve passar pelo escrutínio da razão não deixando nada em oculto. Já Veritas carrega consigo o significado de afirmação de um fato , aquilo que se deixa revelar:  não necessariamente o fato em si, mas uma parte desse fato que pretende se consolidar.

“(...) onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em duas metades,
diferentes uma da outra.”

Veritas seria algo como “ aquilo que se mostra”. A ciência do Direito alinha-se a essa significação de verdade romana (Veritas). Uma verdade que se propõe discursiva, que trabalhará com a interpretação a seu favor. Então, a afirmação dessa verdade em que uma parte  dela se deixa revelar uma vez que, não necessariamente é o fato em si, ela guarda consigo algo de ficção: porque não é o todo que se mostra, mas uma parte. Essa parte que se mostra tentará, por meio de vários argumentos, buscar no processo a estabilidade e a credibilidade. Essas ficções ( ou seja, qual a melhor ficção- ou verdade- se adapta a tal situação?), por sua vez, tem a finalidade de harmonizar o processo, mesmo que essa suposta estabilidade (estabilidade essa conquistada por meio da crença naquilo que se mostra como verdade e os seus argumentos) possa vir a tomar para si num processo, por exemplo, algumas tecnicas semelhantes a da Psicologia ou Psiquiatria, por exemplo, para firmar-se no Direito: um mise- en scêne para apresentar a sua  afirmação do fato( veritas) como verdade e assim produzir as suas verdades jurídicas.  Ela é uma parte, mas não a verdade em seu todo. Não quero dizer, com isso, que a verdade no sentido Veritas se encontra no seu oculto,  mas a sua pretensão e conquista em todo o seu processo de crença, persuasão e, por fim, credibilidade fazem com que a pretendida verdade acabe repousando sobre si. 


“(...) As duas eram totalmente belas.
Mas carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Revista Véritas- Puc-RS- 2002. Edição 185, pp 41 a 50

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Em homenagem aos 160º ano de aniversário Sigmund Freud , a Google Arts junto ao Freud Museum de Londres, e sob sua curadoria, promovem esse belo trabalho: um museu virtual sobre a vida de Sigmund Freud, sua história sobre a teoria Psicanálise,  além de outros detalhes da sua vida e obra. Vale a pena o passeio e leitura! Clique na imagem e divirta-se com um mínimo  aqui contido do legado desse grande homem estudioso da Psicanálise!

 Exposição Virtual- Sigmund Freud: Uma vida na Psicanálise




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A Saga do Herói:  A adolescência e a construção do seu ser no mundo
(por Simone Prado Ribeiro)



Para entendermos um pouco melhor sobre a adolescência, pensemos, antes de tudo, em uma epopeia[1] cujo herói deixará o seu povo e sua cidade e que, para chegar ao seu destino, precisasse fazer uma viagem por longos mares revoltos, cheios de monstros marinhos gigantes que se levantariam em determinados pontos desse mar e que exigiriam habilidades, valentia e muita coragem desse herói no seu enfrentamento, nessa jornada rumo ao desconhecido.

Nesse sentido, e fazendo uma analogia as aventuras do herói[2], a passagem da infância para a adolescência será marcada por grandes transformações, a começar por sua forma corporal cujos hormônios modificarão esse corpo infantil, transformando em outro: não terá mais o aspecto infantil, mas um corpo que será desejado sexualmente no meio social ao qual circula. O seu ego, até então infantil, será transformando por uma nova maneira de ver o mundo. Na busca de autonomia e liberdade, largará (simbolicamente) o convívio de pai e mãe e partirá rumo à independência física, financeira e que, para tanto, novas batalhas serão travadas: agora são as exigências da sociedade e a busca de responsabilidades que também lhe proporcionarão dores.

Se pensarmos em mitologia, jornada, monstros e heróis, a fase da adolescência também possui toda essa jornada em que o lugar de conforto será confrontado com novas aventuras: a transcendência do morrer para si (no caso, o ser infantil) para vir o novo. Portanto, a adolescência é como uma saga, uma viagem, uma aventura em que, nessa ida, ele nunca voltará igual. O mito é ancestral e também atual porque tem a ver com a existência, valores eternos que significam a vida.

Logo, esse rito de passagem com todos os seus componentes e a análise desse arranjo é de grande importância para a Psicologia na compreensão do ser humano em como ele constrói a sua realidade, como percebe o mundo e qual é o seu papel nele.





[1] Epopeia –   poema épico, extenso, o qual são narrados  as aventuras, as guerras, as viagens e as vitórias de um herói.
[2]'O poder do mito' é  fruto de uma série de conversas mantidas entre Joseph Campbell e o jornalista Bill Moyers , compondo o capítulo “A jornada do Herói”.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

CAMPBELL, J. O poder do Mito, in: A saga do Herói. Ed. Phala Athena, 1988. p. 137-148

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Teoria das Representações Sociais- Serge Moscovicci
( por Simone Prado)

A teoria das Representações Sociais, do psicólogo Serge Moscovici (2005), introduzidas na Psicologia Social, permite uma pesquisa, um estudo particular na intenção de entender a comunicação e os saberes do senso comum e como se realiza o conhecimento e a sua disseminação em um grupo ou comunidade.
Ao analisarmos o ser humano, este, por sua vez, se insere a um grupo; e no estabelecimento das relações desses dois componentes se encontra um terceiro: a linguagem que, por sua vez, esta seria como uma liga fazendo a conexão de tais elos. É a partir da linguagem que se formaria uma estrutura – contendo os três elementos anteriormente citados - de onde partiriam as trocas de conhecimentos, pensamentos sobre algo e aquilo que mais interessa na teoria das representações sociais: como se dá a relação cotidiana desse grupo então formado e qual é o pensamento predominante que lidera a imaginação desse grupo.
A imaginação preponderante do senso comum, de um modo geral, também o serve de crença. Essa crença, por sua vez, não há, na maioria das vezes, uma reflexão crítica sobre determinada ideia. Ao conhecimento se deposita um determinado valor que o consagra, ele será emitido e aceito ou não pelo grupo, comunidade, etc. Esse conhecimento partilhado também conduzirá aspectos subjetivos que alcançará o comportamento desse grupo de pessoas. As análises desse arranjo e´ o que importa ao estudos  das Representações Sociais. É uma ferramenta teórica de grande importância na atuação do psicólogo social comunitário em suas intervenções na comunidade. Por exemplo: Analisar  quais as representações sociais de determinado grupo de idosos, de uma dada região, cujo  número de  contaminação pela AIDS nessa faixa etária está crescente. Que pensamento predomina nesse grupo?

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
Moscovici. S. Representações Sociais: Investigação em Psicologia Social, Ed. Vozes, 2005. p. 193-197.
Eis um vídeo bastante interessante e que explica bem as Representações Sociais, de Moscovici.


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Palavras

As palavras 
depois de soltas 
são como leões
no deserto - 

perigosas, 
elas sempre deixam rastros...

(Autora: Simone Prado)


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